Eutanásia é uma derrota civilizacional para todos nós. Também para o PR

Vasco Mina

No dia 10 de Junho, vimos, ouvimos e lemos um notável discurso do Senhor Dom Tolentino de Mendonça. Recordando o belo poema de Sophia… não podemos ignorar! A sua reflexão  é uma verdadeira lição de humildade, de cultura e de humanidade. Será certamente recordado e lembrado nos próximos anos.

Mas o discurso prolongou-se na entrevista dada à Rádio Renascença. Nesta, o Cardeal aprofundou alguns aspetos que tinha abordado na comunicação do 10 de Junho. D. Tolentino de Mendonça convoca-nos à responsabilidade que cada um de nós tem em cuidar dos nossos concidadãos e do nosso país, desafia-nos a refletir sobre o nosso destino coletivo e alerta para a coesão nacional, para que ninguém fique para trás.

Mas também não deixou de enviar mensagens aos responsáveis políticos: “Sentir a política como a causa mais nobre. Fazer uma política de causas. Uma política que coloque no centro da sua ação a pessoa humana.” A propósito das situação dos idosos afirma com muita clareza que  “nós não podemos dizer que a vida de um idoso, de um doente, de uma pessoa afetada por uma depressão profunda tem menos valor. E esse reconhecimento, de que toda a vida humana tem um valor infinito, até ao fim, deve ajudar-nos a perceber que as leis que fazemos devem ser leis que favoreçam a vida”. Com toda a clareza e frontalidade afirma: “Uma lei como a da Eutanásia é uma derrota civilizacional para todos nós”.

A AR retomou, há dias, o debate sobre as propostas dos partidos sobre a eutanásia. Para quem tenha pensado que este era o tempo para debater assuntos verdadeiramente prioritários, desengane-se. Para o parlamento a eutanásia é uma prioridade e até atribuiu à deputada Isabel Moreira (que dias antes tinha criticado severamente o  Governo de ter restringido direitos, liberdades e garantias de forma inconstitucional) a tarefa de redigir um texto de consenso entre os vários diplomas apresentados e aprovados pelos partidos. Será que os senhores deputados vão desprezar o apelo de D. Tolentino de Mendonça? Infelizmente, temo que tal vá acontecer. Assim, será o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa confrontado com uma provocação política no final do seu mandato; bem que se esforçou por conseguir o apoio do PS e de António Costa para a sua reeleição mas o astuto PM é mestre em jogar simultaneamente em vários tabuleiros. Ou seja, o Presidente da República vai ter a oportunidade (oferecida pela esquerda) de manifestar o que efetivamente o move: isenção politicamente correta face à eutanásia ou impedir a derrota civilizacional. São estes os tempos em que as pessoas se revelam!

Via: Blog ‘Corta Fitas’

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