D. Manuel Clemente: “A vida é um todo e tem de ser respeitada como um todo”

Patriarca lamenta regresso do processo parlamentar para a legalização da eutanásia e defende papel dos idosos na sociedade.

O cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, lamenta que o Parlamento tenha regressado à discussão da eutanásia.

“A nossa posição é a mesma. A vida é um todo e tem de ser respeitada como um todo, como nós dizemos, da conceção à morte natural”, afirmou esta quinta-feira D. Manuel Clemente, em declarações aos jornalistas depois da celebração da solenidade do Corpo de Deus, na Sé de Lisboa.

Na semana passada, foram retomadas as reuniões do grupo de trabalho que vai tratar o assunto na especialidade e a deputado socialista Isabel Moreira foi designada para tentar fazer um texto de consenso entre todas os projetos aprovados na generalidade.

A posição da Igreja mantém-se e D. Manuel lembra que “qualquer corte ou desistência da vida própria ou alheia em qualquer fase da vida põe em questão” a vida como um todo. Por isso, a solução não é a eutanásia, mas o acompanhamento.

“O que isto requer de nós é companhia. Como dizem os próprios profissionais de saúde, por vezes aquela vontade, aquele desespero de desaparecer, no fundo e por dentro tem uma grande vontade de ser acompanhado e é isso que é pedido a todos nós como sociedade”, defende D. Manuel.

“Falamos de cuidados paliativos e é muito importante e estão muito longe de cobrir toda a nossa rede de saúde. É muito importante que se alargue, mas paliativo quer dizer ‘o que acolhe, o que envolve’ e é a sociedade, somos nós próprios que nos temos de tornar paliativos para que ninguém sinta vontade de se ir embora, mas pelo contrário, com a ajuda médica e com a presença dos seus familiares, dos seus amigos e até da sociedade como um todo, consigam superar essa situação e viver humanamente os últimos momentos da sua vida”, acrescentou o patriarca de Lisboa e ainda presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

D. Manuel Clemente, que falava aos jornalistas no adro da Sé de Lisboa, também se associou à defesa dos mais velhos, que ontem estiveram no centro do discurso do cardeal D. Tolentino Mendonça, no seu discurso como presidente da comissão para as comemorações do Dia de Portugal.

Os idosos “sofreram particularmente porque muitas vezes já estão isolados, mas estão sempre ansiosos por ver a família, por ver os filhos, por ver os netos e agora ficaram privados disso tudo”, reconheceu D. Manuel, apelando a um olhar mais atento e mais respeitosos para com os mais velhos.

“A dor foi maior e temos de os olhar com mais atenção, não só durante a pandemia e quando ela passar, que há de passar, mas depois também – como dizia ontem o cardeal Tolentino e subscrevo inteiramente – , olhando mais para o papel que as pessoas mais idosas e com experiência de vida acumulada têm na sociedade. É uma enorme perda para todos nós como sociedade não olharmos mais e beneficiarmos mais do contributo que os idosos podem dar. Não é apenas aquilo que eles ainda podem fazer, é aquilo que só eles podem fazer pela vida que já acumularam”, alertou.

Via: Renascença

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