Caminhada pela Vida

27 de outubro, às 15 horas, é preciso estar no Largo Camões, em Lisboa. Vai acontecer mais uma
dessas fantásticas iniciativas da Federação Portuguesa Pela Vida – a caminhada pela vida 2018.
Se ser herói é salvar vidas, então estas pessoas estão entre os heróis do nosso tempo.
Um dia a humanidade sentirá vergonha do que está a acontecer pelos hospitais de países
considerados desenvolvidos. Um dia a humanidade terá de deixar de desviar o olhar dessa terrível verdade,
que se tem tentado evitar por tantos meios. E nesse dia chorará lágrimas de arrependimento. Cerca de cento
e vinte e seis mil bebés (tecnicamente chamados “embriões” ou “fetos” – sempre se evita um pouco o
horror da verdade) são mortos diariamente nos hospitais – 126 000 abortos. A linguagem atenua o efeito:
interrupção voluntária da gravidez; há quem prefira até o uso apenas das iniciais, “IVG”, que torna ainda
mais opaca a situação.
A verdade, porém, pode ser escondida, mas não deixa de ser o que é: andamos a matar bebés.
Nenhuma razão pode justificar isto. As razões de cada um são as mesmas de um qualquer assassino que se
tenta livrar de alguém que o incomoda ou que lhe cria obstáculos – são vidas ceifadas, umas com mais idade,
outras com menos idade.
Daqui a uns séculos, quando a História estudar os nossos dias, todos ficarão certamente petrificados:
“Como? Na era em que pensavam que eram tão desenvolvidos usavam a evolução médica para matar o filho
no ventre da mãe?!”. Nessa altura darão graças pela existência de organismos como a Federação Portuguesa
Pela Vida, que tem desenvolvido um trabalho notável, como se vê pelo resumo da sua atividade:
“O que fazemos
A intervenção da Federação Portuguesa pela Vida pode enquadra-se nos seguintes três pontos:
APOIO SOCIAL: às mulheres (principalmente grávidas), crianças e famílias, através de uma rede
nacional de organizações que providenciam aconselhamento, cuidados médicos e apoio material
ACÇÃO POLÍTICA: intervenção junto dos membros do Parlamento e das instituições públicas,
salientando as necessidade dos valores da vida e da família e da promoção de uma CULTURA DE VIDA
EDUCAÇÃO de crianças, jovens e da população em geral, para uma cultura de vida e para a
responsabilidade e dignidade da sexualidade humana. Neste âmbito desenvolvemos conteúdos educativos,
estando presente em escolas e qualquer outro âmbito, promovendo conferências para os difundir.”*
É, de facto, um trabalho notável, mas talvez passe despercebido – os nossos órgãos de Comunicação
social preferem colocar em evidência certos lobbies, de teor bem diferente, sobretudo porque desprovidos
da generosidade que emana desta Federação, que protege tantas mulheres em dificuldades diversas, que as
apoia, apenas porque assumiu para si, com toda a convicção, esta missão – e acredita que ela tornará o
mundo melhor. Aliás, já está a tornar, por cada vida que é salva, por cada vida que volta a sorrir.
Um dia a humanidade sentirá vergonha dos crimes que está a cometer contra os mais indefesos dos
indefesos. Um dia os bebés poderão nascer, porque as mães, em vez de leis que as enviam para a marquesa
que despedaça os seus filhos, encontrarão uma sociedade que se reúne à sua volta e as acarinha e acarinha
os seus filhos.
Esse será um passo gigantesco rumo ao desenvolvimento.
No dia 27 de outubro, pelas 15 horas, a partir do Largo Camões, a luta será pela vida. Pela vida dos
mais pequeninos. Pela saúde emocional das suas mães. Pela sobrevivência das consciências.
Vamos lá?

*In https://www.federacao-vida.com.pt

Isabel Vaz Antunes
Editorial do Jornal Carrilhão